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CHÁVENA


Entramos em silêncio. Sentamo-nos . Queria rir e quebrar o silêncio mas até a pessoa mais sorridente do mundo por vezes precisa ser séria. Quem cala consente , e eu sinto tanto por ti . Fiquei em silêncio , talvez tu entendesses a razão. 

A funcionária , essa grande "culpada", quebrou-o . Em poucas palavras apontou os nossos pedidos e recolheu-se . Talvez a tensão a tenha assustado . Verdade seja dita até eu tinha medo. 

Enquanto nos servia fez breves perguntas às quais fomos respondendo sendo que no meu pensamento a funcionária estava apenas a tentar criar uma conversa de circunstância.

As chávenas a escaldar tinham o seu propósito. Enquanto comia (em silêncio) percebi que estavam ali para nos dar tempo de aquecer as nossas feições. 

Percebi que tinha recebido mais do que tinha pedido. Sou tão grata por isso.  Ela estava a lutar por nós . Ela estava a dizer : " Pensem nas coisas boas que fizeram juntos " , " porquê essas caras depois dos momentos lindos e dos sorrisos " ? , "vale a pena estarem assim ?" , ainda têm tempo. 

Ela fê-lo com a maior coragem do mundo ignorando as nossas faces carrancudas. Podíamos ficar em silêncio o resto da vida, mas estava feliz naqueles breves minutos, eu estava a reviver todos os nossos momentos.

Uma coisa tinha a certeza, tinha tudo valido a pena. Então sorri.  Até os teimosos carrancudos sorriem.  Queria agradecer-lhe por me ter chamado à razão e queria pedir-te desculpa, beijar-te . Mas até a pessoa mais sorridente do mundo por vezes precisa ser séria.  Sinto tanto por ti. Sorris comigo? 



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